
Penso que a sanidade era lançada aos poucos, em cada palavra que lhe dizia, dessa forma, gradualmente todos os dias viraram o mesmo ato de se perder, de brincar de perceber o que podiam fazer, até onde podiam ir, como se os limites estivessem apagados e pudessem pisar neles por pura implicância.
A impressão que tinham era a de que haviam inventado um jogo novo, com regras próprias e onde não se descobriu ainda quem ganha no final, nem mesmo se vai haver um vencedor no final. Era fácil viver assim, bastava sentar-se numa calçada e ouvir beirut para os tempos estarem certos, ou se beijarem por minutos incontáveis, protegidos da chuva e dos olhares, embaixo do guarda-chuva. A verdade é que se perdiam por muito pouco.