terça-feira, 8 de julho de 2014

incolor ou the flying dream


Essencialmente, representava tudo que eu não precisava ter e ilogicamente tinha. Eram as olheiras pela manhã, o torpor diurno, os ápices de euforia e a posterior depressão visceral. Os dias contados e os que sequer notei passar, tudo arrastado e arremessado violentamente em algum lugar que nunca visitarei. Eu via minha vida toda passar ali, borrada, tingida com as cores que eu nunca gostei. Nada era parecido com o que eu esperava, nada era nem de longe a melhor parte da minha vida que pensei conseguir naquele instante, aquele instante. Quando as memórias ou as idealizações cessam e percebe que era aquele quadro que perseguia por toda a existência, como se não houvesse dia antes ou depois daquele momento. Como se todas as demais pessoas fossem desimportantes e dispensáveis. Analiticamente percebo que só eu fui dispensável a mim, foi muita perda por um rastro tão irreal.

imagem: richard wilkinson - the flying dream

Um comentário:

Ed Marciano disse...

Não me diga que você parou de escrever moça... lembra de mim? seis anos atrás. tudo bem Guida... voltei a escrever, olha meu blog depois... prepotência minha achar que você ia lembrar de mim... enfim, o comentário é sobre o seu post e não sobre mim.
gostei do que você escreveu... bem pessoal... o que mexeu comigo foi o fato de perceber que você foi dispensável a si mesma... é como se aquela pessoa que parece não ligar pra nada ou ninguém, no fundo não tá ligando pra ela mesma? interessante se for isso... não podemos ser tão desinteressados pelo mundo. não é... e você volte a escrever. te peço.
beijos