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domingo, 25 de novembro de 2012

levemente doce.

Desculpa por ter deitado tantos sentimentos, de uma vez só na sua cama, sem perguntar antes se poderia me despir tanto ou mesmo olhar a sua nudez de um modo já tão próprio. É tão fácil me aconchegar ao seu lado, deitar sua cabeça no meu ombro e despejar os textos, assim, sem ensaio algum.
Se eu não falasse tudo naquele instante, correria o risco de não conseguir outra chance e as perdas não podem ser impostas a amores como o nosso; que não se estranham entre paredes novas e se conhecem com a intensidade de outros dias que não viveram.
Não queria sumir sem que soubesse da sensação de pertencimento àquele quarto... seria errado me cercar de tanta naturalidade? Tenho medo de que minhas sombras tenham se desprendido de mim e se posto a morar na sua sala ou que meu cheiro tenho se dividido para dormir mais vezes ao seu lado. Talvez alguma ainda esteja na varanda, olhando a cidade, e se frustre por não poder exigir sua atenção com puxões enérgicos ou abraços desajeitados.
Nem precisaria de jeito, o encaixe dos nossos gênios perdoam as pequenas falhas. Há esse entendimento, as conversas mudas, as concordâncias implícitas, a não-necessidade de dizer que, talvez, talvez, talvez, isso durasse tempo bastante para derrubar as barreiras que tanto idealizamos, que talvez, nem demorasse tanto assim.
Também ainda verei sua sombra por aqui e eu sentindo falta de algo que nunca tivemos. Não é nossa culpa, não teve culpa, nós sorrimos e falamos sem ver o tempo passar.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

fixação

Esvai-se algo todas as vezes que engano.
Sei que não enganaria seus olhos.

Engana-me.
Diz que volta.
Sei que não, mas espero.
Talvez me agrade esperar.

Derrelição é amor, o único que entendo:
abandona-me todos os dias, porque um só já não me basta.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

cria

Eu como carne suja
estraçalhada
estirada pelos chãos e ruas

Eu como nua
bocas rotas
corpos podres e ancas cruas

Eu me rendo
Eu me entendo
Eu me como.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

on the knees

Tinha algo de encantador no desespero em que ela buscava a sua boca. O ato humilhante e a rejeição tornavam a cena digna de ser relembrada e, naquele momento, eu nem me daria ao trabalho de achar aquilo tudo triste; era quase uma ciência de até onde uma pessoa pode chegar, eu tinha que me curvar pra ver, porque ela chegava baixo, o mais alto era ficar de joelhos e lhe prestar aquele pequeno favor.

Imagem: on the knees by olya fedorova.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Citrinos I.

Era dor. Dor. Era muita e corria violentamente de um lado para o outro da cabeça, com pontadas agudas e incisivas. Eram dezenas de facadas na cabeça. Quanta felicidade, meu Deus. Era quase entorpecente ter a cabeça arrancada e não conseguir pensar naquela. Ali era pior, eram batimentos fortes demais, era falta de ar, falta de paz, falta de orgulho e vergonha na cara. Era doença do mais alto grau de periculosidade. Foi avisada e reavisada várias vezes, riu porque quis, ignorou porque quis. Era achar demais, pensar que daquele mal não sofreria. Não era profano diagnosticar o amor como doença? Agora o tenha e agüente. Porque não há dinheiro que o valha, muito menos tratamento que o cure.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

sem flores e w3 sul.










Se continuar nesse ritmo, o blog passa de textos a desenhos...





Texto antigo:

Odeio a sensação de santidade que sua presença me impõe, odeio. Com as outras era inatingível. Nunca reclamei por elas e havia uma sublimação em ver aqueles choros cheios de culpa. Elas assumiam a culpa por não ter dado certo e eu parecia boa. Só havia bondade, ninguém era ruim na minha concepção. Eu não havia feito mal algum a elas e elas eram vítimas, não eram pessoas ruins.

Sinceramente, sentia-me extremamente confortável com essa aura instransponível. Então vem e me faz parecer uma santa. Um desperdício. Era cafajeste, descompromissada e agora estou presa diante da sua liberdade tão leve nos atos. Não consigo acompanhar, fico idiota querendo acompanhar, mas nunca me fez promessas e se deita com tantos outros quanto possa ter. Eu, absorta, dedico-me exclusivamente, passo a não desejar outras bocas, nem admito outros toques, só para não manchar vadiamente o amor que te dedico.

Estou destruída, escorraçada por sua indiferença, e continua sua. Nunca me mandou embora, mas nunca pediu para que ficasse... morro por me imaginar tão vítima e tão boa diante da sua indiferença acalentada em outros braços. Sofrida e entregue numa santidade absorta por pensamentos trágicos: uma doença fatal, um suicídio, tudo culpa sua. Perderia aquele ar sublime que tem nos meus pensamentos, aquela cara impassível que imagino em seu rosto enquanto choro desesperadamente. Poderia se sentir ruim por não me amar, poderia sentir minha falta. Então eu te trairia. Trairia com 28 outras mulheres por causa da dor que me causou. Seria sem sofrimentos causados.

domingo, 25 de abril de 2010

empty.


Desenho antigo. Muito antigo mesmo.
E uma falta imensa do que falar.

Então para acompanhar o desenho sem legenda: O início de um post que nunca foi terminado, assim como o desenho que até hoje continua um rascunho.

---------------x---------------

Fique claro:
Eu estou sorrindo pra não mandar você se foder.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

les jours tristes

Eu penso sobre quem exigia perfeição.

Errar e admitir erros era a minha especialidade.
Eu sou tão errada quanto sempre pude ser: minha patologia.
Mas sempre me redimi em perdões claros e explicativos.

Eu me pergunto sobre qual era a sua especialidade.

resoluções

ponto vírgula ponto ponto vírgula.
ponto final.


Então vamos à beleza e à intensidade:
Sentia náuseas por te imaginar em outros braços. Hoje vejo o céu borrado, um laranja que atravessa o azul petróleo, violento e lindo. O que sofri naquele dia não foi nada. Não será nada. Eu sei voltar ao escuro e à claridade num espaço de tempo quase imperceptível. Sinto-me crescendo, estranhamente. Ouço “Back to Black” e imagino que não é para mim que a Amy canta. Não, baby, não mesmo. Hoje o dia foi leve e sorridente. So Who? Who is going back to Black? Eu prefiro pensar nas lindas e vibrantes flores que vi no jardim ali ao lado.

terça-feira, 7 de julho de 2009

do indescritível

1. Os instantes são simples. Esse excesso de simplicidade em diversos momentos toma-me de angústia e de uma reviravolta física traduzida numa náusea constante. Essa limitação ao olhar o papel e não conseguir dizer mesmo com uma exatidão mínima o que deveria ser dito e nem mesmo fazer entender os sentidos, isto provoca angústia e a náusea, claro.

2. Seria exagerado classificar o que me ataca de demência? Porque sofro dessa deficiência racional e não enxergo nada que esteja a ponto de contê-la. É um cansaço de mim que transmito às outras pessoas, e quando me dou conta disso, a existência da demência me é dolorida e indiferente.

3. Gosto de chutar pedras e dizer-lhes que está tudo bem. Mesmo com a ausência das palavras que deveriam me aparecer. Digo-lhes da angústia e da náusea porque gostaria de dizer-lhes do resto que não se mostra em público, o resto não gosta da luz, nem dos palcos.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

ela queria era parar de pensar,
parar no tempo,
parar de querer,
parar em casa,
parar de qualquer coisa.

"Eu, você, e todos os encontros casuais

os ais e os hão de ser"

Marcelo Camelo - Tudo Passa

sábado, 2 de maio de 2009

índigo: as desiguais.

Éramos o tipo de canto e encantadoras. Foram poucas as pessoas que não levamos no papo; carisma, fácil de ser criado. O resto deixamos estar. Esperávamos que os outros cansassem com o tempo...
não cansaram e continuaram com os sorrisos assustadores, as histórias de conquistas, os copos erguidos orgulhosamente.
Aquilo nos entediou, bastava nos olhar para saber que éramos diferentes.
Apesar disso, eu ainda não entendo o que nos faz ter uma alma que reclama a todo instante, que vê defeitos e alegrias além do que os outros normalmente enxergam... é algo difícil de explicar.

Dulce Pontes - Canção do Mar

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

contra-senso


Penso que a sanidade era lançada aos poucos, em cada palavra que lhe dizia, dessa forma, gradualmente todos os dias viraram o mesmo ato de se perder, de brincar de perceber o que podiam fazer, até onde podiam ir, como se os limites estivessem apagados e pudessem pisar neles por pura implicância.

A impressão que tinham era a de que haviam inventado um jogo novo, com regras próprias e onde não se descobriu ainda quem ganha no final, nem mesmo se vai haver um vencedor no final. Era fácil viver assim, bastava sentar-se numa calçada e ouvir beirut para os tempos estarem certos, ou se beijarem por minutos incontáveis, protegidos da chuva e dos olhares, embaixo do guarda-chuva. A verdade é que se perdiam por muito pouco.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

dilúvio

Disse-lhe aquelas frases
de forma tão comprometida
que pôde acreditar nos sonhos.

E inventar histórias
que vivia diariamente
concretizando-as em destinos.

Mas então veio o dilúvio,
devastador.
Carregando os muros
dos seus frágeis castelos.

Agora desanimada, senta-se na pedra,
fica a olhá-los aos suspiros:
"E agora, quem há de reconstruí-los?"

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

he always can...


1. Lembrava da cara que ela fez, quando disse pela primeira vez a frase “quando terminarmos”. Saiu naturalmente, não quis lembrar que estavam perto de terminar, nem que iria deixá-la em certa hora. Apenas, naquele momento, possuía uma consciência incômoda de que relacionamentos podem acabar e que aquele, infelizmente, acabaria um dia. Gostavam-se, se davam bem, mas não havia amor. Era outra pessoa lhe ensinando um pouco mais, enquanto aprendia em retorno.


2. Ela se achava segura, se achava incapaz de sentir novamente a sensação de perda e desespero que aflige aqueles que não sabem exatamente o que vai ser deles frente a um amor. Havia passado por isso, não tornaria a passar novamente. E então ele surge. Não veio diferente de outros, nem dele mesmo. Nem nunca em algum momento disse que deixaria de amá-la, nem demonstrou que faria. Ao contrário, nos braços dele era completa, era estável, era alguém calma e divertida. Alguém que não precisava olhar ao redor em busca de algo para preencher as conversas. Bastava se olharem. Ele sentia o mesmo, no entanto, a menor dúvida que surgisse era capaz de fazê-la querer correr para o nada.

3. E como anexo, os desequilíbrios, iria apagá-lo do MSN caso passasse mais de 1 semana sem lhe dirigir a palavra. Passou. Apagou. Ele nunca soube. E no outro dia teve de readicioná-lo: ele havia lhe enviado uma poesia de Clarice Lispector. Ela sorriu e se sentiu boba, até a poesia acertada a assustava.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

le temps d'attente


Ao pousar o cigarro nos lábios, automaticamente analisou sua vida. Assim, percebeu assustada que duvidava de boa parte das suas aventuras, pois, naquele instante, as via como meios e não fins, eram apenas uma passagem para algo mais importante. Não. Não estava ali o ápice das suas vivências. Havia algo mais que queria alcançar. Duvidou das histórias que contara, das emoções que pensara ter vivido. Seria tudo tão intenso como dissera aos outros? Dessa análise, as lembranças emergiam: mas pareciam fake, a vida de outrem. Formou-se um labirinto, cheio de faunos ilusórios, porque em 3 segundos se perdera e já pensava nem ter vivido aquelas cenas, duvidava dos cenários: eram mesmo daquela forma ou foram inventados, vistos em filmes? Via tantas pessoas passando, envoltas em conversas, sorrisos, confusões. Do que tanto falavam e por que sorriam tanto? E aquelas vidas que pensava conhecer, aqueles instantes, os beijos, as catarses, os êxtases. Onde foi parar o sentido disso tudo? Quem viveu? O mundo parece mudo, silencioso, girando em torno de outra vida, não a sua. O que procurava estava além daquilo tudo, esperando ser descoberto como por acidente. E agora, mais que nunca, a frase martelava: “vivia em angústia e espera daquilo que não via”. Sabia que ainda não havia encontrado aquele sentido.

sábado, 9 de agosto de 2008

multiplicidade


primeiro, disseram que não tinha alma.
depois lhe atribuíram outras tantas
que roubou-lhe a calma
ver outros tantos rostos
que com o tempo esquecia.

e as opiniões divergiam
sobre o modo de encará-las
de fugir das dores que ela mesma criava
nos tempos de aquários e letargias.

então os tempos mudaram,
despediu-se: das almas que incomodavam
e preferiu as que melhor lhe serviam.