quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

conclusões.

realmente invejo os pobres de espírito, que sabem sem querer saber, que o vazio é bem pior que a ilusão.

uma das imagens mais bonitas da semana foi a fumaça do cigarro se dissipando na chuva da Normandia.

odeio fumar.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

frente e verso

I - A renúncia ou o enlouquecimento.

Ele acha que amor é perdição. Não acha a vida extraordinária há um bom tempo, talvez por isso crie fugas. Gosta de imaginar que a qualquer momento ela vai descobrir que o actual namorado é apenas uma paixão de verão, e com essa consciência súbita, perceberá que foi um erro largá-lo, e voltará para ele, para o que era antes.

Depois imagina que mesmo que ela voltasse, não deveria aceitá-la assim, não depois do que fez a ele. Então pensa que deveria ser mais homem, ela merecia ao menos um tapa bem dado... mas tem certeza de que não conseguiria bater, nem mesmo um tapa suave: acha uma covardia. Seria corajoso comprar uma arma, cheirar 30 gramas de pó e sair em busca do actual namorado da ex-namorada, seria corajoso dar uns 5 tiros no desgraçado.

Apesar da vontade, não se imagina sendo preso e cumprindo pena, não nasceu pra essas coisas. Uma doença fatal seria perfeita, câncer, esclerose múltipla, qualquer coisa, mas tinha de ser uma morte rápida, mas não tão rápida, ela tinha que ter tempo de ver o que tinha feito a ele. Ela tinha que sofrer por ter feito o que fez com o amor dos dois. Ele estava perdido e sabia disso. Sua vida ainda girava em torno de um amor que ela fazia questão de não lembrar, era um satélite indesejado.


II - A crueldade ou a Libertação.

Ela sabia que o esquecimento é uma dádiva e desde que se envolvera com o namorado de agora, fazia questão de esquecer aquele outro.
Não era por maldade, crueldade, sadismo e nenhum dos outros substantivos que ele gostava de frisar quando falava de como terminaram a relação. Era por isso que deveria esquecer. Não podia carregar eternamente a culpa por um amor que não dera certo.
Eles tentaram, eles se amaram, mas com o tempo aquilo sumiu, ninguém era mais o mesmo. Com o tempo a relação se tornou insuportável e não entendia como ele nunca enxergou isso, como ele insistia. Evitou os amigos comuns, os lugares que iam, as lembranças comuns. Evitou pensar nele como quem evita a dor. Estava apenas buscando um pouco de sanidade no meio do caos. Estava tentando ter uma outra vida. Então com o tempo, a lembrança dele passou de um fantasma desagradável a uma reminiscência suave de alguém distante e nesse tempo já conseguia falar dele novamente, porque ali já não lembrava da culpa.
Ela sabia que o esquecimento era uma dádiva e que não seria o Sol de um amor que não queria.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

pois é...

E o Rio de Janeiro continua... um caos!
06/04/2010

Será que consigo voltar para casa?! Raramente uso esse blog com o intuito de "oi, gente! ontem tomei sorvete".

Mas hoje realmente merece um relato. Ontem às 18h24 peguei um táxi da Urca em direção à Tijuca. Normalmente levaria uns 20 minutos, talvez 30... ok! Mas não... 2 horas e meia na porra de um táxi, momentos de terror com pivetes andando entre os carros procurando quem assaltar, para não chegar a sequer metade do caminho.

Desci do táxi, querendo comer o taxista com farinha por causa dos 50 reais que ele me arrancou pra NADA! e caminhei em direção ao metrô, mais 300 metros andando debaixo de chuva, atravessando enxurrada, e eis: um fila quilométrica para comprar o bilhete.

Comprei, o Fernando me buscou na estação, voltamos a pé e aí foi a melhor parte. Eu me senti num daqueles filmes hollywoodianos... pessoas andando no meio dos carros, os motoristas fora dos carros xingando o mundo, o vento, a chuva, a mãe... a água carregando tudo, gravetos de árvores pelo chão.

Enfim, um caos... o Rio de Janeiro continua um caos e eu tive que remarcar meu vôo pra amanhã, porque os taxistas se recusam a ir ao aerporto.

Morri.

PS: ah, a foto é da rua que fica aqui do lado.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

la coïncidence.

A primeira coisa que fiz foi seguir seus passos com o olhar.

Queria aprender como andava, para onde e por quê.

Estava consciente da barreira que se transpõe quando duas pessoas, estranhas à vida uma da outra, se aproximam. Porque a simples conversa muda um mundo.

Antes nunca havíamos nos falado e eu sabia que queria essa conversa há muito tempo, mas permanecia inerte e sisuda. Era minha forma de fingir que aquele momento não me era necessário, e hoje, estou pronta para assumir que era, que a inércia representava a espera do ponto certo, insanamente aquele era o instante em que a barreira cedia.

E foi assim que ignorei os sons ao redor e milhares de pessoas. Foi assim que repousei ao seu redor e comecei um diálogo insólito do qual lembro vagamente de uma ou outra palavra dita. Mas o que gravei com perfeição foi o sorriso, ainda enxergo o momento em que levantou a cabeça e sorriu para mim. Com uma certeza absurda, posso dizer que depois disso o mundo já havia mudado.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

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G1 noticia: Colômbia apreende US$ 11 milhões de traficantes em dinheiro vivo

Chocada com o número de traficantes.

sábado, 1 de agosto de 2009

you might choose: fears or bricks?

O telhado às vezes está perto demais, sequer é preciso uma queda para haver a compressão. Aquele espaço tão amplo e aconchegante que me fez acreditar completamente no conforto que aqueles braços me ofertavam, aquilo era o meu único porto seguro. Todas as vilanias do mundo pareciam incapazes de atravessar aquelas portas. Lá era possível ver pés descalços atravessando saguões, rodopiando, enquanto alguém entoava alguma valsa. Era possível dançar sem dança, rir sem motivo, não havia preocupações a ter. O ar era leve e fresco, as pessoas felizes e completas. Os abalos existiam, mas não assustavam nenhum habitante.

Todos nós imaginamos que aquele mundo existiria para sempre, por isso não havia sequer o medo de que o tempo passasse e houvesse uma devastação a qualquer momento. Isso era aparentemente impossível: não se destrói o intocável. Nada nem ninguém atravessaria aquelas portas e janelas. Então houve o pior, algo tão inimaginável que até agora me perturba o acontecimento deste fato: nossa fortaleza roeu por dentro, as suas estruturas estavam comprometidas desde o início da construção. É impossível culpar alguém por isso, nem mesmo o destino poderia ser responsabilizado. A casa agüentou o quanto pôde, mas surgiram as rachaduras, e a queda de um ou outro azulejo, depois os danos se tornaram mais aparentes, o telhado que descia... ou diminuíamos para caber ali, ou saíamos antes de ver o melhor que havíamos tido completamente em ruínas. Fomos cada um para um lugar diferente, andamos perdidos por aí, separados e unidos pela lembrança daquela fortaleza de calma.

sábado, 18 de julho de 2009

clichê

Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.
Que tem que ser vivido até a última gota.
Sem nenhum medo. Não mata.
(Clarice Lispector)