Mostrando postagens com marcador nada. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador nada. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

fixação

Esvai-se algo todas as vezes que engano.
Sei que não enganaria seus olhos.

Engana-me.
Diz que volta.
Sei que não, mas espero.
Talvez me agrade esperar.

Derrelição é amor, o único que entendo:
abandona-me todos os dias, porque um só já não me basta.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

velho sábio.


Sentia-me contente por não estar apaixonado, por não estar contente com o mundo. Gosto de estar em desacordo com tudo. As pessoas apaixonadas tornam-se muitas vezes susceptíveis, perigosas. Perdem o sentido da realidade. Perdem o sentido de humor. Tornam-se nervosas,psicóticas, chatas. Tornam-se, mesmo, assassinas.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

on the knees

Tinha algo de encantador no desespero em que ela buscava a sua boca. O ato humilhante e a rejeição tornavam a cena digna de ser relembrada e, naquele momento, eu nem me daria ao trabalho de achar aquilo tudo triste; era quase uma ciência de até onde uma pessoa pode chegar, eu tinha que me curvar pra ver, porque ela chegava baixo, o mais alto era ficar de joelhos e lhe prestar aquele pequeno favor.

Imagem: on the knees by olya fedorova.

sábado, 1 de agosto de 2009

you might choose: fears or bricks?

O telhado às vezes está perto demais, sequer é preciso uma queda para haver a compressão. Aquele espaço tão amplo e aconchegante que me fez acreditar completamente no conforto que aqueles braços me ofertavam, aquilo era o meu único porto seguro. Todas as vilanias do mundo pareciam incapazes de atravessar aquelas portas. Lá era possível ver pés descalços atravessando saguões, rodopiando, enquanto alguém entoava alguma valsa. Era possível dançar sem dança, rir sem motivo, não havia preocupações a ter. O ar era leve e fresco, as pessoas felizes e completas. Os abalos existiam, mas não assustavam nenhum habitante.

Todos nós imaginamos que aquele mundo existiria para sempre, por isso não havia sequer o medo de que o tempo passasse e houvesse uma devastação a qualquer momento. Isso era aparentemente impossível: não se destrói o intocável. Nada nem ninguém atravessaria aquelas portas e janelas. Então houve o pior, algo tão inimaginável que até agora me perturba o acontecimento deste fato: nossa fortaleza roeu por dentro, as suas estruturas estavam comprometidas desde o início da construção. É impossível culpar alguém por isso, nem mesmo o destino poderia ser responsabilizado. A casa agüentou o quanto pôde, mas surgiram as rachaduras, e a queda de um ou outro azulejo, depois os danos se tornaram mais aparentes, o telhado que descia... ou diminuíamos para caber ali, ou saíamos antes de ver o melhor que havíamos tido completamente em ruínas. Fomos cada um para um lugar diferente, andamos perdidos por aí, separados e unidos pela lembrança daquela fortaleza de calma.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

melhor não dizer.

Dizer te amo e estagnar no resto
é como perder a calma com o vazio
que restou daquela relação decadente,
é como pedir perdão à demência passada.

Eu fui o que quis porque quis
e não deveria me explicar assim
de forma tão desnecessária e dolorosa
afinal já lhe entreguei o raio-x completo.

E o que mais espera? que eu minta?
Eu quero partir de súbito e pra longe
e fugir da insistência burra que me impõe,
que me impunha. Eu quero é ver as ondas.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

resoluções

ponto vírgula ponto ponto vírgula.
ponto final.


Então vamos à beleza e à intensidade:
Sentia náuseas por te imaginar em outros braços. Hoje vejo o céu borrado, um laranja que atravessa o azul petróleo, violento e lindo. O que sofri naquele dia não foi nada. Não será nada. Eu sei voltar ao escuro e à claridade num espaço de tempo quase imperceptível. Sinto-me crescendo, estranhamente. Ouço “Back to Black” e imagino que não é para mim que a Amy canta. Não, baby, não mesmo. Hoje o dia foi leve e sorridente. So Who? Who is going back to Black? Eu prefiro pensar nas lindas e vibrantes flores que vi no jardim ali ao lado.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

da convicção e da desistência

eu dizia era do tempo:
que corria ao lado dele lá
e você nem percebia o alento de cá

eu reclamava era do mundo
o vendedor de intrigas
ali além, acima do curador de feridas

fui eu que comprei a minha vida
fui eu que escolhi estar perdida
no meio das tulipas e bebidas

eu exigi da moça uma atriz
eu quis pintar de anis
fui eu que estraguei tudo
e foi por pouco, foi por tão pouco
foi por um triz.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

ab initio

A infância era uma época relativamente fácil, mas bastante conflituosa. Era incompreensível em diversos momentos, agitada por vezes, e na grande maioria, extremamente solitária. Gosto de pensar na infância com um limite de até 6 anos. Depois disso já havia uma consciência quase sociável e uma vida ocupada por diversos personagens. Tão longe do mundo de fantasias que costumava visitar nos anos anteriores.

Era interessante cuidar das formigas, pensar na vida que os adultos levavam e no papel que ocupava em relação àquilo tudo. Lembro de crises existenciais de uma menininha curiosa e inconformada. Deuses, a vida era tão limitada, e eu queria tão mais. Então assistia TV, passeava pelo quarteirão... lia livros e pensava sobre eles: a história de um papagaio de pirata e de uma menininha que namorava no portão, eu não me sentia criança.

Isso me acompanha desde então, uma alma velha num corpo jovem que em diversos momentos me seduz, mas no fim a alma sempre reclama.

ps: fico imaginando como a babá deixava uma criança de 5 anos passear sozinha pelo quarteirão.
ps2: quem disse que não temos lembranças antes dos 5 anos?!
ps3: até que ponto nossa infância determina o adulto que nos tornamos?
ps4: gosto de post scriptum.

sábado, 2 de maio de 2009

índigo: as desiguais.

Éramos o tipo de canto e encantadoras. Foram poucas as pessoas que não levamos no papo; carisma, fácil de ser criado. O resto deixamos estar. Esperávamos que os outros cansassem com o tempo...
não cansaram e continuaram com os sorrisos assustadores, as histórias de conquistas, os copos erguidos orgulhosamente.
Aquilo nos entediou, bastava nos olhar para saber que éramos diferentes.
Apesar disso, eu ainda não entendo o que nos faz ter uma alma que reclama a todo instante, que vê defeitos e alegrias além do que os outros normalmente enxergam... é algo difícil de explicar.

Dulce Pontes - Canção do Mar

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

doces ou travessuras?

     Ela prefere sinceridade e passeios calmos à tarde com pessoas que possam manter conversas amenas ou desesperadas, sem depois utilizarem o que foi dito contra alguém, nem mesmo contra quem mereceria de alguma forma.
     Ela gosta das nuvens curvadas e assustadoras, dos abraços que insiste em rejeitar e das brincadeiras insistentes sobre tudo que finge não querer contar.
     Ela gosta de transparência, nunca teve medo de vidros e de aquários, desde que o reflexo seja uniforme e sincero. As distorções assustam, assim como o mundo ao qual não pertence e as respirações pesadas e cansativas. Prefere a sombra, a grama e os olhares tímidos. Nada de doces ou travessuras. Não é do tipo que gosta de fantasias.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

démodé

Ontem passei em frente ao banco em que costumávamos sentar. Houve uma quase dor, arrastada, quase suficiente para me fazer esboçar alguma sensação mais verdadeira. As lembranças de desespero exagerado, de súplicas desmedidas, não pareceram nada além de teatro. Lembro do teu olhar de lado e do meu desespero ao ver que não era para mim que olhava. E as noites em que o céu parecia um risco, com luzes borradas, onde todos sorriam aberto demais.

Era um pandemônio. Estávamos todos contando histórias de aventuras aumentadas, não havia metade de verdade em tudo que dizíamos, todos sabiam, todos contavam. Lembro da música gritada ao fundo, não distinguia um só instrumento, os sons me pareciam um só. Um que preenchia a cabeça, se infiltrava nas imagens.

Naqueles dias não havia distinção entre os sentidos. Os cheiros, sons, imagens, vinham todos do mesmo lugar e para o mesmo lugar. Enxergava a cor daquela música. E tudo era falsamente perfeito só para não assumir que aquele seu olhar de lado não era para mim. E quando me olhava, eu via uma indiferença que rasgava o cenário. Eu queria correr, queria ir embora para um lugar que não sabia onde ficava. Eu tinha impressão de que me odiava e, talvez, naquele momento realmente me odiasse sem sequer saber o porquê. Então te estendia a mão, você a pegava. Por um instante, tudo fazia sentido novamente e os sons, as pessoas, as bebidas, tudo me parecia vazio. Por pouco tempo, imaginava que havia me encontrado, mas aquilo era perdição. Sabia que aquele amor existia de um jeito próprio que estava além do meu controle e do seu. Sabia que iria acabar. Sabia que iria sofrer. Sabia que o jeito em que me perdia na sua boca era a pior coisa que podia me acontecer naqueles dias ilusórios. Eu me fodia ao poucos, consciente e resignada. E hoje, ao ver o banco e não sofrer, parece que me deram um corpo novo, sem as marcas daqueles dias.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

dilúvio

Disse-lhe aquelas frases
de forma tão comprometida
que pôde acreditar nos sonhos.

E inventar histórias
que vivia diariamente
concretizando-as em destinos.

Mas então veio o dilúvio,
devastador.
Carregando os muros
dos seus frágeis castelos.

Agora desanimada, senta-se na pedra,
fica a olhá-los aos suspiros:
"E agora, quem há de reconstruí-los?"

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

a fase da dor






Houve um tempo em que havia desistido de ter um blog, até, simplesmente, sentir vontade de voltar a ter. Durante o tempo de recessão literária, escrevia em um documento do Word, amontoava textos quando, e se, tivesse vontade.

Há alguns meses, quando reabri esse documento, possivelmente quando decidi voltar a escrever e publicar, percebi uma certa lógica na catarse, ciclos como o deste post. Decidi nomeá-los de forma óbvia, sem muita frescura. Essa é a fase da queda, da perda, da dor, como cada um preferir chamar.
---------x---------

doeu-me intensamente
não ser mais nada.

não foi vazio como pensei que seria
o ato, de anular-me, perfurou-me:
dolorido e áspero.

e essa ausência sofrida
me incomoda mais
do que qualquer dor que me causara.
---------x---------

Ele continuava sentado no mesmo banco. Imaginando o próximo passo. Alheio à realidade de que primeiro teria que se levantar, olhar para frente. Não podia definir como dor aquele sentimento. Era algo mais, era algo mais concreto. Algo que parecia correr pelas veias, pesado e cansativo. Sentia um cansaço na alma. Sentia vontade de virar pedra naquele banco e nunca mais avistar qualquer indício de vida e cotidiano. Queria virar cimento.
---------x---------

Certo dia acordei e decidi de imediato que arrancaria aquele sentimento de mim. E cada esquecimento era como arrancar a carne junto. Queria explicar a intensidade desse sentimento. Como sentia um pedaço meu sendo arrancado, e a dor e a angústia que isso me trazia. É algo além das minhas capacidades. Eu queria morrer e não morria. É doloroso se sentir incapaz até de morrer. Então esperava que outras pessoas morressem e ninguém morria. Queria ter amnésia, não tive. E os nacos de carne ainda sendo levados. Era uma sensação estranha de quase vida. Havia um distanciamento entre mim e o mundo. As pessoas eram plásticas ou eu era. Alguém estava em um aquário. E ainda a carne dilacerada. Não foi uma boa época para viver.
---------x---------

Não era dor o que buscava.
Esmagava-lhe o peito esperar.
Doía. Doía muito. Não lembrava que doía tanto.
E assim de súbito tivera a certeza
de que não era aquela dor o que procurava.
Queria a paz dos dias aparentemente vazios.
A calma das camas ocupadas por corpos cansados
Inertes por instantes glamorosos.
Buscava aqueles braços que lhe acalentariam.
Só isso.
---------x---------

Arrancaram as lembranças
Esqueço-me aos poucos
do que
esqueci

E essa falta da sua parte
me apavora.

Onde foi que te
deixei
E onde foi que me perdi?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

cores e aquarelas


É uma junção de tantas outras. A cor resultante? É essa, não sei dizer o nome, nem sequer de quais surgiu. É daquele tipo que você sabe que existe, mas os outros nunca sabem qual é. Ninguém acha que é a mesma cor, parece daltonismo. Vez ou outra, chegam perto e pensa que finalmente vão chegar a um consenso, mas logo se decepciona e continua sendo uma cor particular. Não que haja defeito na singularidade que ela implica, não mesmo. Não se torna incômodo a ponto de também se tornar insuportável. Provavelmente, incomoda mais a necessidade de tornar nitidamente certo. Perturba-me, em vários momentos, que não sei explicar o que se passa e o que vejo. No começo a mistura foi interessante, necessária. Só quando não tinha controle do resultado é que me pareceu assustador. Não dá pra separar. A cor que me veio é bonita, mas talvez preferisse vermelho ou algo mais simples de mostrar.

---------x---------

Não classificaria como ciúmes o sentimento que me toma o peito todas as vezes que te imagino em outros braços. Talvez até seja, mas prefiro acreditar que a nostalgia e a saudade me incomodam bem mais do que a idéia de um sentimento tão comum. Já falei sobre o vermelho, não gosto das cores mais fáceis. Seria fácil demais dizer que é o preto que me escurece as vistas, prefiro lilás, é o lilás que me insulta o ritmo das batidas. Tenho tentado manter o equilíbrio e esquecer a falta que me faz não ver o teu sorriso. Tenho tentado esquecer-me de como era bom me aconchegar no teu corpo, te perceber tão maior e tão protetor. Não poderia ser ciúmes o que me incomoda tanto, prefiro que seja lilás.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

particular

Leva o céu nos olhos e as luzes refletidas na janela. O movimento na rua é como uma coisa sua, particular e indivisível. Olhas as pessoas como se fossem amigas e foi assim que apesar de amar a chuva, começou a ficar chateada quando percebeu que os outros não gostavam tanto. Ficava ali, olhando pela janela a ausência de movimento nas calçadas. E quem queria ver, nunca via.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

achada e perdida

"a cada instante que te amava mais
me amava menos.
era como subtrair minha dor
daquele desejo perverso e desnecessário.
matei ambos: devo viver mais uns 50 anos."

achei esse trecho perdido em uma arquivo .txt largado no desktop. fiquei pensando de quem seria, procurei no google e nada! e continuo sem saber... fui eu que escrevi?!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

terra do sol



Por muito tempo estive cavando um poço sem fundo, movia-me pela esperança de que a qualquer instante, quando menos esperasse, alcançaria a Terra do Sol. Não alcancei e deparei-me com uma escuridão sem fim, com mãos sofridas e um caminho sem volta.