Mostrando postagens com marcador pato. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pato. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de julho de 2010

quinze.

15.
5 anos. 5 linhas. O bastante para reconhecer na sua forma de escrever a minha forma de escrever. O bastante para reconhecer na sua falta do que falar a minha falta do que falar. O mesmo desespero da adolescência, da velhice, da ausência. 5 segundos. São suficientes para relembrar como é morrer por você, aos poucos, demais.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

sem flores e w3 sul.










Se continuar nesse ritmo, o blog passa de textos a desenhos...





Texto antigo:

Odeio a sensação de santidade que sua presença me impõe, odeio. Com as outras era inatingível. Nunca reclamei por elas e havia uma sublimação em ver aqueles choros cheios de culpa. Elas assumiam a culpa por não ter dado certo e eu parecia boa. Só havia bondade, ninguém era ruim na minha concepção. Eu não havia feito mal algum a elas e elas eram vítimas, não eram pessoas ruins.

Sinceramente, sentia-me extremamente confortável com essa aura instransponível. Então vem e me faz parecer uma santa. Um desperdício. Era cafajeste, descompromissada e agora estou presa diante da sua liberdade tão leve nos atos. Não consigo acompanhar, fico idiota querendo acompanhar, mas nunca me fez promessas e se deita com tantos outros quanto possa ter. Eu, absorta, dedico-me exclusivamente, passo a não desejar outras bocas, nem admito outros toques, só para não manchar vadiamente o amor que te dedico.

Estou destruída, escorraçada por sua indiferença, e continua sua. Nunca me mandou embora, mas nunca pediu para que ficasse... morro por me imaginar tão vítima e tão boa diante da sua indiferença acalentada em outros braços. Sofrida e entregue numa santidade absorta por pensamentos trágicos: uma doença fatal, um suicídio, tudo culpa sua. Perderia aquele ar sublime que tem nos meus pensamentos, aquela cara impassível que imagino em seu rosto enquanto choro desesperadamente. Poderia se sentir ruim por não me amar, poderia sentir minha falta. Então eu te trairia. Trairia com 28 outras mulheres por causa da dor que me causou. Seria sem sofrimentos causados.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

démodé

Ontem passei em frente ao banco em que costumávamos sentar. Houve uma quase dor, arrastada, quase suficiente para me fazer esboçar alguma sensação mais verdadeira. As lembranças de desespero exagerado, de súplicas desmedidas, não pareceram nada além de teatro. Lembro do teu olhar de lado e do meu desespero ao ver que não era para mim que olhava. E as noites em que o céu parecia um risco, com luzes borradas, onde todos sorriam aberto demais.

Era um pandemônio. Estávamos todos contando histórias de aventuras aumentadas, não havia metade de verdade em tudo que dizíamos, todos sabiam, todos contavam. Lembro da música gritada ao fundo, não distinguia um só instrumento, os sons me pareciam um só. Um que preenchia a cabeça, se infiltrava nas imagens.

Naqueles dias não havia distinção entre os sentidos. Os cheiros, sons, imagens, vinham todos do mesmo lugar e para o mesmo lugar. Enxergava a cor daquela música. E tudo era falsamente perfeito só para não assumir que aquele seu olhar de lado não era para mim. E quando me olhava, eu via uma indiferença que rasgava o cenário. Eu queria correr, queria ir embora para um lugar que não sabia onde ficava. Eu tinha impressão de que me odiava e, talvez, naquele momento realmente me odiasse sem sequer saber o porquê. Então te estendia a mão, você a pegava. Por um instante, tudo fazia sentido novamente e os sons, as pessoas, as bebidas, tudo me parecia vazio. Por pouco tempo, imaginava que havia me encontrado, mas aquilo era perdição. Sabia que aquele amor existia de um jeito próprio que estava além do meu controle e do seu. Sabia que iria acabar. Sabia que iria sofrer. Sabia que o jeito em que me perdia na sua boca era a pior coisa que podia me acontecer naqueles dias ilusórios. Eu me fodia ao poucos, consciente e resignada. E hoje, ao ver o banco e não sofrer, parece que me deram um corpo novo, sem as marcas daqueles dias.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

particular

Leva o céu nos olhos e as luzes refletidas na janela. O movimento na rua é como uma coisa sua, particular e indivisível. Olhas as pessoas como se fossem amigas e foi assim que apesar de amar a chuva, começou a ficar chateada quando percebeu que os outros não gostavam tanto. Ficava ali, olhando pela janela a ausência de movimento nas calçadas. E quem queria ver, nunca via.