segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

from twitter

Caio Fernando Abreu:

Tenho planos, claro (todo mundo tem). Mas objetivamente estou aqui sem nada à minha frente. O momento futuro é uma incógnita absoluta.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

domingo, 19 de dezembro de 2010

eu ODEIO lojas cult.


Entrar naquele lugar foi visceral.

Ali eu tive vontade de fincar as unhas naquele carpete e colocar o chão no teto e enchê-lo de sangue e memórias afogadas.

Memórias suas. Aliás, memórias minhas de você. Rasgos no pano de chita, nos cadernos de cor, nos quadros de cores, nos olhos borrados.

Todo mundo diz que vai ficar muito louco, que fica fora de si e enche a cara de álcool e os pulmões de nicotina e benzina e pesticida e outras coisas mais que soam tão radicais e paixão-fodida.
Eu me fodi. Só queria por tudo ao avesso e te afogar no sangue e no vomito que me fez jorrar. Enchi-me de laranja, de clorofila, corridas e esteiras. Eu quis ser uma sofrida zen, meditando e falando de ETs e mãe-Terra.

Fiz tudo que podia pra parecer melhor que os enterrados em tragédia, mas e agora?

E agora que esqueci que tem alguém segurando minha mão e só quero o chão dessa loja de cabeça pra baixo ou, sei lá, talvez enfiar sua cara num muro chapiscado.

sábado, 9 de outubro de 2010

auto-retrato

Os idiotas que se embebedavam naquela noite saiam trotando e cantando hinos incompreensíveis. Felizes como nunca foram ou como nunca seriam... até a próxima embriaguez.
Não se pode dizer que não há infelicidade no meio daquilo tudo, ela existe, claro, mas é preenchida com cigarros e mais cigarros e a nicotina misturada ao álcool faz deles deuses. Pode-se falar com todos e tudo. É a magnificência do espírito traduzida numa dose sobre-humana de etanol. Com as veias afogadas e as cabeças nas nuvens, não se precisa de mais nada, nem de razão, nem que órgãos funcionem perfeitamente. É só o coração que cresce um mundo e se arranca do peito, saltando como um monstro pacífico, como um motor movido a vinho e vodka. Um motor instável que transpõe qualquer problema. No outro dia a puta da cabeça explode, mas eles desconsideram e bebem de novo. Problema resolvido.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

on the knees

Tinha algo de encantador no desespero em que ela buscava a sua boca. O ato humilhante e a rejeição tornavam a cena digna de ser relembrada e, naquele momento, eu nem me daria ao trabalho de achar aquilo tudo triste; era quase uma ciência de até onde uma pessoa pode chegar, eu tinha que me curvar pra ver, porque ela chegava baixo, o mais alto era ficar de joelhos e lhe prestar aquele pequeno favor.

Imagem: on the knees by olya fedorova.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

quinze.

15.
5 anos. 5 linhas. O bastante para reconhecer na sua forma de escrever a minha forma de escrever. O bastante para reconhecer na sua falta do que falar a minha falta do que falar. O mesmo desespero da adolescência, da velhice, da ausência. 5 segundos. São suficientes para relembrar como é morrer por você, aos poucos, demais.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Citrinos I.

Era dor. Dor. Era muita e corria violentamente de um lado para o outro da cabeça, com pontadas agudas e incisivas. Eram dezenas de facadas na cabeça. Quanta felicidade, meu Deus. Era quase entorpecente ter a cabeça arrancada e não conseguir pensar naquela. Ali era pior, eram batimentos fortes demais, era falta de ar, falta de paz, falta de orgulho e vergonha na cara. Era doença do mais alto grau de periculosidade. Foi avisada e reavisada várias vezes, riu porque quis, ignorou porque quis. Era achar demais, pensar que daquele mal não sofreria. Não era profano diagnosticar o amor como doença? Agora o tenha e agüente. Porque não há dinheiro que o valha, muito menos tratamento que o cure.