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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

fixação

Esvai-se algo todas as vezes que engano.
Sei que não enganaria seus olhos.

Engana-me.
Diz que volta.
Sei que não, mas espero.
Talvez me agrade esperar.

Derrelição é amor, o único que entendo:
abandona-me todos os dias, porque um só já não me basta.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

la contradiction

Nous avons passé chaque minute en essayant de nous convaincre qu'il est impossible d'être le remède et la maladie en même temps.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

melhor não dizer.

Dizer te amo e estagnar no resto
é como perder a calma com o vazio
que restou daquela relação decadente,
é como pedir perdão à demência passada.

Eu fui o que quis porque quis
e não deveria me explicar assim
de forma tão desnecessária e dolorosa
afinal já lhe entreguei o raio-x completo.

E o que mais espera? que eu minta?
Eu quero partir de súbito e pra longe
e fugir da insistência burra que me impõe,
que me impunha. Eu quero é ver as ondas.

sábado, 10 de janeiro de 2009

vacances

Mas basta que o ar entre nós seja leve
e quente

para que todos os defeitos
e temores

se desfaçam entre as nuvens,
entre as estrelas,

qualquer coisa que esteja
acima das nossas cabeças

e que possa controlá-las
por nós.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

dilúvio

Disse-lhe aquelas frases
de forma tão comprometida
que pôde acreditar nos sonhos.

E inventar histórias
que vivia diariamente
concretizando-as em destinos.

Mas então veio o dilúvio,
devastador.
Carregando os muros
dos seus frágeis castelos.

Agora desanimada, senta-se na pedra,
fica a olhá-los aos suspiros:
"E agora, quem há de reconstruí-los?"

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

he always can...


1. Lembrava da cara que ela fez, quando disse pela primeira vez a frase “quando terminarmos”. Saiu naturalmente, não quis lembrar que estavam perto de terminar, nem que iria deixá-la em certa hora. Apenas, naquele momento, possuía uma consciência incômoda de que relacionamentos podem acabar e que aquele, infelizmente, acabaria um dia. Gostavam-se, se davam bem, mas não havia amor. Era outra pessoa lhe ensinando um pouco mais, enquanto aprendia em retorno.


2. Ela se achava segura, se achava incapaz de sentir novamente a sensação de perda e desespero que aflige aqueles que não sabem exatamente o que vai ser deles frente a um amor. Havia passado por isso, não tornaria a passar novamente. E então ele surge. Não veio diferente de outros, nem dele mesmo. Nem nunca em algum momento disse que deixaria de amá-la, nem demonstrou que faria. Ao contrário, nos braços dele era completa, era estável, era alguém calma e divertida. Alguém que não precisava olhar ao redor em busca de algo para preencher as conversas. Bastava se olharem. Ele sentia o mesmo, no entanto, a menor dúvida que surgisse era capaz de fazê-la querer correr para o nada.

3. E como anexo, os desequilíbrios, iria apagá-lo do MSN caso passasse mais de 1 semana sem lhe dirigir a palavra. Passou. Apagou. Ele nunca soube. E no outro dia teve de readicioná-lo: ele havia lhe enviado uma poesia de Clarice Lispector. Ela sorriu e se sentiu boba, até a poesia acertada a assustava.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

devaneio I

da leveza que me salta aos olhos
metade é voce, puro e simples
a outra é o que me resta
depois que alivia
os meus sorrisos retesados.

pois assim que penso:
haveria mágoa se eu não conhecesse
como é estar feliz por saber-te?
haveria o medo a perder?
imagem: kurt halsey - "a pause for thought"

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

cores e aquarelas


É uma junção de tantas outras. A cor resultante? É essa, não sei dizer o nome, nem sequer de quais surgiu. É daquele tipo que você sabe que existe, mas os outros nunca sabem qual é. Ninguém acha que é a mesma cor, parece daltonismo. Vez ou outra, chegam perto e pensa que finalmente vão chegar a um consenso, mas logo se decepciona e continua sendo uma cor particular. Não que haja defeito na singularidade que ela implica, não mesmo. Não se torna incômodo a ponto de também se tornar insuportável. Provavelmente, incomoda mais a necessidade de tornar nitidamente certo. Perturba-me, em vários momentos, que não sei explicar o que se passa e o que vejo. No começo a mistura foi interessante, necessária. Só quando não tinha controle do resultado é que me pareceu assustador. Não dá pra separar. A cor que me veio é bonita, mas talvez preferisse vermelho ou algo mais simples de mostrar.

---------x---------

Não classificaria como ciúmes o sentimento que me toma o peito todas as vezes que te imagino em outros braços. Talvez até seja, mas prefiro acreditar que a nostalgia e a saudade me incomodam bem mais do que a idéia de um sentimento tão comum. Já falei sobre o vermelho, não gosto das cores mais fáceis. Seria fácil demais dizer que é o preto que me escurece as vistas, prefiro lilás, é o lilás que me insulta o ritmo das batidas. Tenho tentado manter o equilíbrio e esquecer a falta que me faz não ver o teu sorriso. Tenho tentado esquecer-me de como era bom me aconchegar no teu corpo, te perceber tão maior e tão protetor. Não poderia ser ciúmes o que me incomoda tanto, prefiro que seja lilás.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

poemeto.

e se eu disser que tanto adoro
do pouco que me mostra

vai soar falso?
vai entender o quanto
é o tanto?