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sexta-feira, 17 de julho de 2009

melhor não dizer.

Dizer te amo e estagnar no resto
é como perder a calma com o vazio
que restou daquela relação decadente,
é como pedir perdão à demência passada.

Eu fui o que quis porque quis
e não deveria me explicar assim
de forma tão desnecessária e dolorosa
afinal já lhe entreguei o raio-x completo.

E o que mais espera? que eu minta?
Eu quero partir de súbito e pra longe
e fugir da insistência burra que me impõe,
que me impunha. Eu quero é ver as ondas.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

resoluções

ponto vírgula ponto ponto vírgula.
ponto final.


Então vamos à beleza e à intensidade:
Sentia náuseas por te imaginar em outros braços. Hoje vejo o céu borrado, um laranja que atravessa o azul petróleo, violento e lindo. O que sofri naquele dia não foi nada. Não será nada. Eu sei voltar ao escuro e à claridade num espaço de tempo quase imperceptível. Sinto-me crescendo, estranhamente. Ouço “Back to Black” e imagino que não é para mim que a Amy canta. Não, baby, não mesmo. Hoje o dia foi leve e sorridente. So Who? Who is going back to Black? Eu prefiro pensar nas lindas e vibrantes flores que vi no jardim ali ao lado.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

doces ou travessuras?

     Ela prefere sinceridade e passeios calmos à tarde com pessoas que possam manter conversas amenas ou desesperadas, sem depois utilizarem o que foi dito contra alguém, nem mesmo contra quem mereceria de alguma forma.
     Ela gosta das nuvens curvadas e assustadoras, dos abraços que insiste em rejeitar e das brincadeiras insistentes sobre tudo que finge não querer contar.
     Ela gosta de transparência, nunca teve medo de vidros e de aquários, desde que o reflexo seja uniforme e sincero. As distorções assustam, assim como o mundo ao qual não pertence e as respirações pesadas e cansativas. Prefere a sombra, a grama e os olhares tímidos. Nada de doces ou travessuras. Não é do tipo que gosta de fantasias.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

exposição de curtas

repostando meus "curtinhos" favoritos do blog antigo:

vive em angústia e espera
do outro que não via.

legenda alternativa:
vive em angústia e espera
do que nunca lhe ocorria.

-----------x-----------

Não esqueça:
as lágrimas falam de tristezas
e alegrias.
-----------x-----------

Leminskianos

I
Era tão errada
que até pra ser nada
era incompleta.
Era um pedaço
faltando do tudo.

V
Não lembro
o que lhe escrevo
Minha memória
anda morta
Eu
ando morrendo

quinta-feira, 24 de abril de 2008

o ovo e a panqueca


Hoje resolvi fazer panquecas e me ocorreu algo totalmente inesperado. No momento de abrir o ovo, estranhei completamente o cheiro. Imaginei que estaria “estragado” e, por segurança, despejei antes em um copo. Cheirei novamente: não, o odor era o de sempre. No entanto aquele me pareceu o ovo mais estranho do universo.

Olhei por vários ângulos, de fato, continuava estranho. Pensei em como poderia comer um ovo. Aquilo é uma futura vida. Então observei o ovo com ares de vida. Por um instante, entendi os vegans. Aquilo é vida, amarela e disforme, mas vida. E placenta esbranquiçada, quase transparente. Imaginei se a bola amarela (sim, aquela gema parecia uma bola, um mundinho de ouro) já seria um início de uma galinha pequena, ou um galo, vai saber.

Olhei novamente para a gosma flutuando no copo, decidi que precisaria terminar as panquecas e que vegans são pessoas com TOC em relação à comida - explicação sem sentido que garantira meu lanche. Antes, porém, espetei a gema e procurei entre aquela amarelidão um início de galinha-bebê, não havia. E, apesar de óbvio, prossegui na experiência. Misturei a clara e a gema. Seguramente, não havia ainda um princípio de forma naquela coisa amarelada. Contudo, só por segurança, todas as vezes que for usar um ovo, de hoje em diante, despejarei no copo e, concluirei, com certeza, de que não há uma vida semi-formada e comestível naquela gosma. Ao menos, nenhuma vida que eu enxergue e reconheça.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

terra do sol



Por muito tempo estive cavando um poço sem fundo, movia-me pela esperança de que a qualquer instante, quando menos esperasse, alcançaria a Terra do Sol. Não alcancei e deparei-me com uma escuridão sem fim, com mãos sofridas e um caminho sem volta.