quinta-feira, 24 de abril de 2008

o ovo e a panqueca


Hoje resolvi fazer panquecas e me ocorreu algo totalmente inesperado. No momento de abrir o ovo, estranhei completamente o cheiro. Imaginei que estaria “estragado” e, por segurança, despejei antes em um copo. Cheirei novamente: não, o odor era o de sempre. No entanto aquele me pareceu o ovo mais estranho do universo.

Olhei por vários ângulos, de fato, continuava estranho. Pensei em como poderia comer um ovo. Aquilo é uma futura vida. Então observei o ovo com ares de vida. Por um instante, entendi os vegans. Aquilo é vida, amarela e disforme, mas vida. E placenta esbranquiçada, quase transparente. Imaginei se a bola amarela (sim, aquela gema parecia uma bola, um mundinho de ouro) já seria um início de uma galinha pequena, ou um galo, vai saber.

Olhei novamente para a gosma flutuando no copo, decidi que precisaria terminar as panquecas e que vegans são pessoas com TOC em relação à comida - explicação sem sentido que garantira meu lanche. Antes, porém, espetei a gema e procurei entre aquela amarelidão um início de galinha-bebê, não havia. E, apesar de óbvio, prossegui na experiência. Misturei a clara e a gema. Seguramente, não havia ainda um princípio de forma naquela coisa amarelada. Contudo, só por segurança, todas as vezes que for usar um ovo, de hoje em diante, despejarei no copo e, concluirei, com certeza, de que não há uma vida semi-formada e comestível naquela gosma. Ao menos, nenhuma vida que eu enxergue e reconheça.

5 comentários:

Marcos Pedro disse...

Sempre tive medo de encontrar uma avezinha dentro do ovo, mas não sei se ficaria realmente triste se um dia isso acontecesse...

Acho que seria uma coisa tão estranha, que minha empolgação falaria mais alto que minha compaixão. Provavelmente mostraria o bichinho, ou o cadáver pra todo mundo...





Isso é mórbido... O.o

Lisa disse...

Onde está a vida? Esses dias observei meu sanduiche e me questionei: quantas possiveis vidas foram sacrificadas para satisfazer meu luxo estomacal?
Um boi, uma possivel ave, horas de trabalho abusivas para os colhedores nas lavouras de tomates e de operarios nas linhas de produção que embalam os paes... Sei lá, ultimamente a inércia é a ação mais ética...

Adorei seu novo espaço, fiquei muito feliz de saber que continua na guerra das palavras.

Lisa

Jamila disse...

Os vegans dizem (e é bem possível que seja verdade) que as galinhas que botam ovos para essas empresas/granjas(?) chegam a pôr a cloaca para fora depois de tanto "esforço produtivo". O capitalismo é bem cruel com as pessoas, trabalhadores e quem está fora do mercado, mas agora me veio à mente essa idéia de exploração da força de trabalho de bichinhos. Mas, além disso, tem uma coisa forte aí por trás: o instinto. Imagina se você se prepara para ter um filho e, assim que o tem, ele lhe é tirado!? Tudo bem... o ovo nem é o filho (a placenta também não!), mas acho que rola alguma coisa "psi" (já ouviu falar em psicobiologia?) nesse sentido, de perda e tal. Pensando assim eu quase viro vegan. Mas só penso que adoro panquecas...

(poxa... fiquei deprimida. as galinhas tristes, exploradas, e eu aqui comendo panquecas, omeletes, bolos... como sou baixa! não valho o ovo que eu como!)

Juliana Dacoregio disse...

hehhehe.... Muito louco, mas bastante plausível. Me parece ser mais estranho comer um ovo, (uma célula!) do que a carne propriamente dita.

carlos disse...

Isso é completamente impossivel ja que as galinhas naum precissam de o galo para fecundar ou seja, as galinhas botam ovom sem embriao,ou seja os humanos naum comen ovos fertilizados,ou seja naum a vida no ovo.Agora se pode se sentir culpado pelo maltrato da galinha na hora de tirar o ovo.