quinta-feira, 18 de junho de 2009

ab initio

A infância era uma época relativamente fácil, mas bastante conflituosa. Era incompreensível em diversos momentos, agitada por vezes, e na grande maioria, extremamente solitária. Gosto de pensar na infância com um limite de até 6 anos. Depois disso já havia uma consciência quase sociável e uma vida ocupada por diversos personagens. Tão longe do mundo de fantasias que costumava visitar nos anos anteriores.

Era interessante cuidar das formigas, pensar na vida que os adultos levavam e no papel que ocupava em relação àquilo tudo. Lembro de crises existenciais de uma menininha curiosa e inconformada. Deuses, a vida era tão limitada, e eu queria tão mais. Então assistia TV, passeava pelo quarteirão... lia livros e pensava sobre eles: a história de um papagaio de pirata e de uma menininha que namorava no portão, eu não me sentia criança.

Isso me acompanha desde então, uma alma velha num corpo jovem que em diversos momentos me seduz, mas no fim a alma sempre reclama.

ps: fico imaginando como a babá deixava uma criança de 5 anos passear sozinha pelo quarteirão.
ps2: quem disse que não temos lembranças antes dos 5 anos?!
ps3: até que ponto nossa infância determina o adulto que nos tornamos?
ps4: gosto de post scriptum.

6 comentários:

Gabriel Nunes disse...

você disse que "a vida era tão limitada..."
Eu diria que quando somos crianças, a vida não tem limites, uma fantasia que parece não ter fim, uma sede por conhecimento torpe. Mas aí crescemos, e nos tornamos os adultos que juramos não ser.

Cris disse...

eu sinto saudades da minha infancia ... porém hj em dia não existe infancia...

Ainda..... disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
K.Bianca Ferreira disse...

Acredito que a infância seja a fase mais importante do ser humano...É a partir dela que as principais características de nossa personalidae fluem...

Mas entendo...
Gostei ^^

BarelyEly disse...

gostei da minha infância e tbm experimentei uma alma velha em um corpo jovem. Só acho q agora acontece o inverso comigo... é bem mais difícil de lidar... vc é bem original.

W. Fernandes disse...

Bem singelo seu seu estilo de escrever e sua mensagem. O mundo dos livros que abria as 'portas-das-percepção' de uma meneira tão mais inocente, né! rsrs

Tem um conto do Mario de Andrade que acabei de ler, 'tempo da camisolinha', que ele escreve como se tivesse cinco anos. Recomendo, está em 'contos novos'.


Obrigado pelo comentário lá no meu e pela recomendação lá na comunidade!

Bjão