sábado, 1 de agosto de 2009

you might choose: fears or bricks?

O telhado às vezes está perto demais, sequer é preciso uma queda para haver a compressão. Aquele espaço tão amplo e aconchegante que me fez acreditar completamente no conforto que aqueles braços me ofertavam, aquilo era o meu único porto seguro. Todas as vilanias do mundo pareciam incapazes de atravessar aquelas portas. Lá era possível ver pés descalços atravessando saguões, rodopiando, enquanto alguém entoava alguma valsa. Era possível dançar sem dança, rir sem motivo, não havia preocupações a ter. O ar era leve e fresco, as pessoas felizes e completas. Os abalos existiam, mas não assustavam nenhum habitante.

Todos nós imaginamos que aquele mundo existiria para sempre, por isso não havia sequer o medo de que o tempo passasse e houvesse uma devastação a qualquer momento. Isso era aparentemente impossível: não se destrói o intocável. Nada nem ninguém atravessaria aquelas portas e janelas. Então houve o pior, algo tão inimaginável que até agora me perturba o acontecimento deste fato: nossa fortaleza roeu por dentro, as suas estruturas estavam comprometidas desde o início da construção. É impossível culpar alguém por isso, nem mesmo o destino poderia ser responsabilizado. A casa agüentou o quanto pôde, mas surgiram as rachaduras, e a queda de um ou outro azulejo, depois os danos se tornaram mais aparentes, o telhado que descia... ou diminuíamos para caber ali, ou saíamos antes de ver o melhor que havíamos tido completamente em ruínas. Fomos cada um para um lugar diferente, andamos perdidos por aí, separados e unidos pela lembrança daquela fortaleza de calma.

8 comentários:

Leon K. Nunes disse...

De onde menos se espera é que uma estrutura começa a ruir. É bom que tenha escrito esse post, porque é algo que não podemos nunca esquecer...

Denise disse...

O tempo não para.....esta em nós aproveitarmos antes q ele nos alcance .

tão bom ter vindo aqui

carinho

Denise

Marcos Pedro disse...

Lindo...


Esse texto me lembrou minha própria vida.

Quando saí de casa, fui morar em outra cidade, longe dos meus amigos. Se antes éramos inatingíveis a distância nos tornou distantes de uma maneira que o espaço não é capaz de entender. Com o tempo as paredes ruíram, e hoje me parece que havia algo errado desde a construção.

Oddie disse...

pois é, querida, mas no fundo é divertido observar que nada é eterno, tenho medo da felicidade eterna, das bases sólidas, das coisas lindas, isso deve tornar a existência tão chata e sem objetivos ( se existisse isso, nunca sairíamos do útero )

Andiara, a Andi, disse...

Oi! Vi teu blog lá na Blogueiros fracassados... gostei muito desse post, traz muitas analogias com a vida (uma, até, bem pessoal).

Uma surpresa encontrar o Leon por aqui! hehehe

Beijo!

Lisa Alves disse...

Nossa que texto denso, poético e cortante.

Tua casa de palavras é vibrante!

Bruno e Joyce disse...

Gostei do texto. Está bem escrito e o sentido, pelo menos o que me afetou, é interessante. As vezes a gente tenta apreender o momento e o perde. Ele só pode durar se for livre, se não for sempre ele mesmo. Tentar eternizar mata. É preciso deixar ser outro sem perceber... sei lá como faz isso, ou mesmo se é possível. Só pensamentos.
Parabéns!

Bruno Costa
www.costabbade.blogspot.com

VFS disse...

reflexos internos,
sombras futuras.

ou talvez não.

beijos