quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

moço ausente


Ele tem pouco mais de 21 anos e um nome comum. Morava em um bom lugar desde os 13 anos de idade. Aos 16 anos já trabalhava em uma empresa, onde permaneceu até então, seu primeiro e único trabalho. Era um bom empregado, nada lhe parecia demasiado difícil ou enfadonho. Não era de reclamar do ônibus lotado, nem do pouco tempo que lhe sobrava para jantar antes de ir à faculdade. Não tinha aulas todos os dias e, nesses dias sem aula, costumava ir direto do trabalho para a casa da namorada. Uma garota que conhecera na igreja.

Estavam juntos há anos, eram companheiros inseparáveis, iam a todas as festas juntos, se viam com freqüência, mas já não se beijavam, nem faziam sexo. Tentaram uma vez, os dois haviam bebido por influência de amigos, se arrependeram: passaram uma semana sem se ver, nem se ligaram, no domingo se encontraram na igreja e fingiram que aquilo nunca existiu. Era como se ele tivesse tentado fazer sexo com algo assexuado.

Dormia cedo, acordava cedo e, de novo, estava no trabalho. Em certa manhã, saiu atrasado, e notou que um bar já estava aberto àquela hora. Foi o primeiro cliente do dia, pediu uma dose de uma bebida que não conhecia. Foi a primeira vez que chegou embriagado em casa, a mãe disse que era culpa de má influência, o pai disse que da próxima vez levaria uma surra, a namorada ameaçou terminar o namoro.

Conheceu más influências, levou 3 ou 4 surras, perdeu a namorada e, um dia, depois que o bar fechou, não voltou para casa. Agora fica aí, com seus 21 anos, uma pinga de R$1,99, alguns trocados e uma vida que pensa gostar de ter.

15 comentários:

Leon K. Nunes disse...

Existem muitos errantes por aí. Eles são mais visíveis à madrugada, na periferia, enfim, nas ocasiões mais deslocadas. Mas mais do que errantes, o que prolifera são os aspirantes a errantes. Aqueles que estão à beira de ultrapassar a linha que os divide de uma vida pequeno-burguesa, cotidiana e comum de uma outra com outros adjetivos, mas, como você bem alerta, não há nada que garante que esta seja melhor. Este vinte-e-um é apenas uma estatística de alguém que rompeu a tal linha. A maior parte fica com medo das surras, de perder a namorada e alguns quetais, e vivem no limite. Sem viver nem o lado de lá nem o de cá. Que resta?

João Silva disse...

Não sei se existe um jeito certo ou errado de se viver. Cada trajetória é uma trajetória, marcada pelas vivências singulares, que produzem seu efeito aos 16, aos 21, aos 50, sem um padrão, sem um tempo certo. Às vezes acontece algo que faz com que o rumo mude, mas nunca se perde nada na vida. Se vive, embriagado nas noites ou encarcerado à família, ao trabalho, essas coisas ditas certas,mas sempre se vive. Em qualquer escolha, inconsciente ou não, deixa-se algo de lado.

João Silva disse...

A propósito, gostei do texto.

Flora Ramos disse...

Os pais e a namorada fizeram-lhe um grande favor...

Gostei muito de conhecer teu blog!

Talita do Vale disse...

Gostei do texto.

odeio comentários do tipow q estou fazendo. Mas eu gostei mesmo e tenho q falar q gostei xD

Pena q foi curto.

Groo disse...

Ah, conheço muitas histórias parecidas...estão sempre em busca de "alguma coisa" que não sabem bem o que é, mas apenas estão. Embarcam nas influências, ouvem as "vozes", querem romper com alguma coisa, querem arriscar...e perdem tudo. Ou às vezes até ganham, mas é raro.

Eu agradeço a sua visita e seu comentário em meu tosco blog. Muita gentileza e muita paciência, a sua!

Obrigado mesmo...e volte sempre!

abs!

Poquiviqui disse...

Pelo menos a vida dele passou a ter alguma emocao! Haha
Mas engracado que a gente quando fica preso a um cotidiano passa a nao conseguir ver mais as coisas de outra perspectiva. Isso eh horrivel.

Hey, escreve muito bem, texto simples mas profundo. Vou te seguir!

~ a Juh! disse...

Pelo menos assim ele acabou cm a rotina e agora não tem mais certeza do que virá. Talvez assim viva mais do que se continuasse na vida de antes.

Ótimo o texto, me fez pensar em mim mesma.

beeeeeeeeeeeeeeeeeijos

CG Filmes Cleiton Guimarães disse...

Obrigado pelo comentário com propriedade de quem assistiu nosso curta À procura da verdade.

Volte sempre!

abraços
Cleiton Guimarães
&
Rozangela Melo
www.cgfilmes.blogspot.com

Talita do Vale disse...

Concordo com o q c comentou lá no meu blog. "há mulheres tão foda quanto alguns amigos meus. E há homens tão frescos quanto as mulheres mais frescas.!

Esqueci de colocar q tbm acho isso. Mas isso em acho exceção... xD

;**

Fran* disse...

As pessoas buscam aquilo q as vezes nem sabem pq estão procurando..Mudam o rumo da vida por varios motivos, mas o pior deles:fraqueza diante de situações novas.
Ótimo texto,embora triste.Emocionante, eu diria.rs
Beijo

Paulinha* disse...

O pior é achar que gosta da vida que tem,mesmo não gostando..

Marcelo Victorino disse...

pelo menos ele acha que gosta da nova vida. Ousou mudar.

Marcelo Victorino disse...

Ah, e sobre sua pergunta, não se chama sorvete de gelado aqui. Só achei que a apalvra se encaixava melhor no texto. Mudanças técnicas de palavras na edição. Estou mais besta e mais chato, agora, dando mais atenção a essas coisas sem importância. Estou fazendo o que nunca fiz antes: escrever ao lado do dicionário, para ter certeza que as palavras que usei dizem exatamente o que eu quis dizer.

Marília. disse...

Ou que talvez seja melhor do que a antiga rotina...